Efeito imediado: Covid-19 cresce em cidades de MG que reduziram isolamento

Estudo feito pela UFMG, em parceria com grupo da UFRN, aponta que há um crescimento acelerado do número de casos no interior

Mapa de casos de Covid-19 em Minas Gerais por município, com dados de até 14 de julho (Fonte: SBanksX/Wikipédia)

Da redação
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As ações de flexibilização do isolamento social, adotado devido à pandemia do novo coronavírus, nas pequenas cidades do interior de Minas Gerais já estão gerando efeitos preocupantes. De acordo com um estudo realizado pela UFMG, nessas mesmas localidades, cresce o número de pessoas infectadas e mortes atribuídas à covid-19.

Minas Gerais é um dos poucos estados brasileiros onde a maior concentração da doença já está no interior. A capital Belo Horizonte abriga 52% da população mineira, mas registra cerca de 40% dos casos de covid-19 no estado. “Há um crescimento acelerado do número de casos no interior. É quase certo que as medidas de isolamento social foram implementadas na capital antes que a doença se espalhasse. E vários municípios do estado não promoveram o isolamento social ou não foram bem-sucedidos, e os casos estão disparando”, comenta o professor Marden Campos, do Departamento de Sociologia da UFMG, um dos autores da pesquisa.

Geolocalização pelos aplicativos

A pesquisa para identificar os índices de isolamento social em Minas Gerais foi realizada com base em dados de telefones celulares. O estudo realizado pela UFMG, em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), utilizou os dados obtidos por meio de um sistema de geolocalização para aplicativos de telefones celulares desenvolvido pela empresa de tecnologia In Loco. O indicador é construído com base em informações agregadas e anônimas da movimentação de 60 milhões de aparelhos em todo o país.

O índice revela a variação do número de pessoas que não saíram de suas casas. Os dados computados no estudo abrangem o período de 1º de fevereiro a 29 de junho. Os pesquisadores revelam que, em maio, houve forte queda dos índices de isolamento em Minas Gerais e, em junho, pequena melhora.

Entre os municípios mais populosos, Belo Horizonte (176 mortes até 6 de julho) e Juiz de Fora (58 óbitos) são os que apresentaram níveis mais altos de isolamento. Montes Claros (uma morte) teve queda progressiva de adesão das pessoas à medida de prevenção da disseminação do vírus e apresenta o menor índice entre as cidades mais povoadas. Outras cidades com baixos índices de isolamento são Uberlândia (110 óbitos) e Governador Valadares (46).

A cidade de Manhuaçu, na Zona da Mata, com população de cerca de 90 mil habitantes, tinha, até 6 de julho, 242 casos diagnosticados e sete mortes registradas. Para os pesquisadores, o número elevado de casos confirmados e mortes em Manhuaçu, relativamente ao tamanho de sua população, é mau sinal para muitos outros municípios mineiros. “As cidades que não têm conseguido manter as pessoas em casa devem se preparar para uma disseminação rápida do vírus em suas populações”, alerta Marden Campos. “E é preciso ressaltar que a maioria dessas localidades, diferentemente de cidades maiores, como Belo Horizonte e Juiz de Fora, não estão equipadas para internar e tratar adequadamente pacientes graves”.

Entre os municípios pesquisados, Diamantina, Ouro Preto e Barbacena, segundo observam os pesquisadores, atingiram os índices mais satisfatórios de isolamento social de 18 a 31 de maio. Diamantina acusa uma morte até agora, Ouro Preto, duas, e Barbacena teve cinco óbitos.

Além de Marden Campos, assinam o estudo a professora Luciana Lima, da pós-graduação em demografia da UFRN, o professor Ivanovitch Silva, do Instituto Metrópole Digital, vinculado à instituição potiguar, a pesquisadora Gisliany Alves, mestre em engenharia elétrica e de computação pela UFRN, e a graduanda em ciências sociais da UFMG Ludmila Beatriz.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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