Estado paralisado: um balanço de sete meses do governo Zema

Sete meses andando de lado, sem sair do lugar. É esse o balanço feito por economistas para resumir as ações do governo de Minas sob a gestão de Romeu Zema

Romeu Zema herdou de seu antecessor, Fernando Pimentel, um cenário absolutamente desfavorável (Foto: Gil Leonardi/Imprensa MG)

Da redação
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Sete meses andando de lado, sem sair do lugar. É esse o balanço feito por economistas para resumir as ações do governo de Minas sob a gestão de Romeu Zema. Para os especialistas, nem mesmo os projetos que conseguiram ser concretizados – como o novo modelo de escolha do “secretariado”, baseado em critérios rigorosamente técnicos – deram os resultados prometidos.

É preciso lembrar que o governador Romeu Zema herdou de seu antecessor, Fernando Pimentel, um cenário absolutamente desfavorável, com os cofres vazios, déficits acumulados e até os salários do funcionalismo, incluindo o 13º, atrasados.

O mais grave é que, neste contexto, não houve, sob a gestão Zema, nenhuma medida capaz de ao menos criar expectativas de recuperação econômica. Em meio à forte dependência de setores como a extração mineral e a construção civil – ambos afundados em crises sem precedentes há pelo menos dois anos –, não se vê luz no fim do túnel.

“As receitas do governo despencaram em razão do baixo desempenho da economia mineira e as despesas continuaram crescendo desde o governo passado, gerando uma situação de incapacidade de pagamento de folha salarial e das parcelas da dívida pública estadual”, analisa Márcio Salvato, economista do Ibmec. 

Salvato afirma que a conjuntura não é boa e que a solução passa por questões que dependem, em grande medida, da capacidade de articulação política de Zema. “Nas mãos do governo está a renegociação da dívida pública, a inclusão da previdência estadual na reforma da previdência em tramitação no Senado Federal. São instrumentos essenciais para alavancar o crescimento de setores-chave da economia”, ele diz. 

Sucessão de tropeços

O governador Zema também contabiliza ações que contribuíram para desgastar ainda mais sua gestão. Na área da educação, foram inicialmente extintas 81 mil vagas de ensino integral no estado. Dias depois, pressionado, o governador foi obrigado a recuar, remontando o programa de forma parcial, em troca da aprovação do projeto de reforma administrativa na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Mesmo assim, mais de 30 mil alunos permanecem sem acesso à carga horária integral.

Em seguida, contrariando sua pregação durante a campanha eleitoral, o governador foi obrigado a autorizar a participação dos seus secretários em conselhos de administração de empresas estatais como forma de aumentar os seus salários, com os chamados “jetons”.

Crescer é a única alternativa

O reaquecimento da economia é a única salvação possível para o governo Zema. Quem afirma é presidente do Conselho Regional de Economia de Minas Gerais (Corecon-MG), Paulo Bretas. 

“Enquanto o crescimento não voltar a acontecer, não vejo condições de mudança. Qualquer regime de recuperação fiscal que venha a ser assinado, vai implicar na exigência de privatizações de empresas como Cemig e Copasa, congelamento de salários dos servidores e cancelamento de concursos públicos. Tudo isso produz muita incerteza na vida das famílias, o que não me parece promissor”, avalia.

Para o economista, uma análise mais aprofundada dos problemas enfrentados por Minas revela que o estado está completamente estagnado. “Não se consegue estabelecer uma política de desenvolvimento, não se consegue recuperar capacidade de planejamento, não se consegue investir em saúde, infraestrutura ou segurança”, explica. 

Até impactos políticos da inércia governamental podem ser previstos, destaca o economista. “Em suma, o governo Zema se assemelha muito ao governo Pimentel porque não consegue superar a crise. É algo muito complexo. Considerando o cenário de hoje, acho difícil que ele se reeleja”, conclui Bretas.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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