Minas lidera ranking nacional de armas de fogo no país

A cada dia, 13 novas armas de fogo são registradas por pessoas físicas em Minas Gerais

Da redação
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A cada dia, 13 novas armas de fogo são registradas por pessoas físicas em Minas Gerais. O levantamento é da Polícia Federal e coloca o estado no topo do ranking nacional de aquisição de armamento pelas vias legais nos primeiros quatro meses do ano.

Hoje, Minas tem mais de 60 mil registros ativos de armas, segundo a corporação. Desse total, 57% – cerca de 34 mil armas – estão na mão de pessoas físicas. O número, no entanto, não inclui o armamento ilegal e clandestino que também circula no estado. 

Os dez estados que mais adquiriram armas no primeiro quadrimestre de 2019

Minas Gerais1.599
Rio Grande do Sul1.355
Santa Catarina1.249
Paraná1.240
Goiás1.099
São Paulo1.027
Mato Grosso517
Rio Grande do Norte413
Rio de Janeiro345
Bahia343
Fonte: Polícia Federal

Em 2018, de acordo com levantamentos da Secretaria de Estado da Segurança Pública (SESP-MG), pelo menos 23 mil armas foram apreendidas em operações realizadas pelas polícias militar e civil. 

Para especialistas, a procura de por armas de fogo tende a se tornar maior à medida em que a legislação se torne mais flexível no país. Em janeiro, um decreto do presidente Jair Bolsonaro facilitou a compra de armas e outros decretos, ainda em discussão, facilitam também o porte de armas. Bolsonaro, desde a campanha eleitoral, defende a ideia de armar a população. 

Estado também é líder em apreensão de armas ilegais

O maior registro de armas ilegais apreendidas em todo o país também está em Minas. Quem afirma é o advogado Bruno Langeani, especialista em segurança pública do Instituto Sou da Paz, instituição que estuda soluções para a segurança pública no país.

Para ele, a situação é crítica já que o crescimento dos crimes violentos e da disponibilidade de artefatos para os delitos estão diretamente relacionados ao excesso de armas em circulação. 

Ele explica que parte das armas que circulam no mercado ilegal sempre vêm do Paraguai ou de outros países que fazem fronteira com o Brasil. Adverte, no entanto, que mais da metade do que é apreendido no Sudeste é fabricado dentro do Brasil. 

“Ou seja, são armas originalmente vendidas de forma legal, mas que, por diversas razões, acabam no mercado clandestino, afirma. “A arma que foi adquirida para ser instrumento de defesa, transforma-se em fonte de violência”, denuncia Langeani.

Homicídios por arma de fogo em Minas Gerais

AnoNúmeroTaxa
20072.98315,1
20082.75513,9
20092.60313,0
20102.45612,5
20113.00015,2
20123.22816,3
20133.468 16,8
20143.377 16,3
20153.214 15,4
20163.32115,8
20173.06714,5
Fonte: Atlas da Violência 2019

Histórico de violência

O massacre de Suzano (SP), que deixou 10 mortos em março, não foi o primeiro ataque armado a uma escola registrado no país. Em 2017, um estudante de 14 anos matou a tiros dois colegas em uma escola particular de Goiânia. 

Em 2012, outro jovem de 16 anos atirou contra três alunas de uma escola pública em João Pessoa, na Paraíba. Em 2011, um ex-aluno de 23 anos matou 12 pessoas em uma escola em Realengo, no Rio de Janeiro.

O especialista em segurança pública e criminalidade Robson Sávio Souza garante que as soluções para o ambiente escolar devem extrapolar a ideia de aumentar o controle, a vigilância e a repressão. 

Distinguir os tipos de violência nesses locais, defende Souza, é essencial para solucionar conflitos. Souza cita o sociólogo francês Bernard Charlot, que diferencia violência da escola, violência na escola e violência contra a escola. 

“Isso nos mostra que, no caso da violência na escola, ela deve ser tratada sob o ponto de vista pedagógico, uma vez que a instituição, como qualquer outro ambiente social, é conflitivo”, afirma. 

Para Robson, as escolas precisam se preparar para lidar com essas situações. “A violência na escola é algo que sempre aconteceu e vai continuar acontecendo. E isso não se resolve com polícia e, sim, com educação”, explica.

Articulação entre atores públicos

O especialista cita ainda a violência contra a escola. Ele esclarece que, nesse caso, os problemas vão além da questão pedagógica, envolvem gangues e o espaço escolar começa a ser lugar de disputa por conta de drogas ou armamento. Em situações dessa natureza, defende, a escola deve se articular com outros atores públicos, inclusive a polícia, para enfrentar a situação. 

“O corpo dirigente, professores e pais devem sempre avaliar como a violência se manifesta na escola, já que cada realidade é diferente”, diz. “A receita pronta para resolver estes problemas não existe e cada caso deve ser discutido a partir da realidade local”, finaliza o especialista. 

A favor do porte de armas

Radialista e agora senador, Carlos Viana (PSD) defende a anulação do estatuto do desarmamento – lei de 2003 que regulamenta o comércio de armas e munições no Brasil. Ele acredita que pessoas devidamente treinadas e avaliadas psicologicamente devem ter o direito de portar armas, conforme informações de seu site oficial.Procurado pela reportagem do Interesse de Minas, o político informou que não vê influências do massacre de Suzano no debate sobre a questão das armas no Congresso.

“O que se debate aqui, entre os deputados e senadores, é a arma para legítima defesa, o direito da pessoa de acessar uma arma para defender a si mesmo e a família. É bem diferente da tragédia que aconteceu em São Paulo”, afirma o senador Carlos Viana.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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