Pandemia faz índice de confiança do empresário de BH despencar

O indicador apurado pela Fecomércio MG sofreu uma retração de 27,1 pontos percentuais devido ao cenário de incertezas sociais e econômicas provocadas pela propagação da doença

(Foto: freepik.com)

Da redação
redacao@interessedeminas.com.br

Os reflexos da crise gerada pela pandemia do novo coronavírus atingiu em cheio a confiança dos empresários do comércio belo-horizontinos. Pesquisa realizada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio-MG) aponta que o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec) de Belo Horizonte registrou 94,7 pontos em maio, uma retração histórica de 27,1 pontos em comparação a abril.

No mês passado, o índice já havia reduzido 5,7 pontos, alcançando a marca de 121,8. Assim, o Icec ficou novamente abaixo da fronteira do otimismo, marcada pelos 100 pontos. A última vez que isso ocorreu foi em outubro de 2018, quando o índice atingiu 99 pontos.

O economista-chefe da Fecomércio MG, Guilherme Almeida, destaca que a queda acentuada do índice reforça os impactos econômicos provocados pela pandemia de Covid-19. “Ao longo de pouco mais de dois meses, inúmeras atividades foram suspensas a fim de minimizar a propagação do vírus em toda a cidade. Por consequência, a incerteza dos empresários em relação ao futuro cresceu, o que pode contribuir para a paralisação de investimentos e agravar a crise econômica”.

Elaborado mensalmente pela Fecomércio MG, com dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o Icec reflete as perspectivas em relação ao futuro da economia, do comércio e das empresas atuantes, antecedendo aos resultados nas lojas. O indicador serve de referência para decisões relativas ao desenvolvimento local, como os investimentos e a geração de novos empregos.

Entre os itens que compõem o Icec, o Índice de Expectativa do Empresário do Comércio (Ieec) foi um dos fatores que mais contribuiu para a queda na confiança. O subindicador, que sinaliza as impressões do setor em relação aos próximos meses, atingiu o menor resultado em três anos, alcançando 116,4 pontos, contra 154,4 apurados em abril. O quesito avalia o percentual de entrevistados que confiam na evolução da economia brasileira (61%), na expansão do setor (66,2%) e no crescimento das vendas da própria loja (70,2%).

Segundo Almeida, outro item que apresentou retração histórica foi o Índice de Condições Atuais do Empresário do Comércio (Icaec). O subindicador encolheu 20,6 pontos, registrando 80,5 pontos em maio. Nesse quesito, o otimismo do empresário caiu principalmente entre aqueles cujas empresas possuem até 50 empregados. Além disso, para a maioria dos empresários do comércio (62%), a condição atual da economia brasileira piorou.

Já o Índice de Investimento do Empresário do Comércio (Iiec), que retrata os planos de melhoria para a loja, de ampliação de estoques e do quadro de funcionários, registrou 87,3 pontos em maio, uma queda de 17,2 pontos em relação a abril. Entre os itens do subindicador, destaca-se o nível adequado dos estoques, fator apontado por 53,7% dos entrevistados. Já 57,4% afirmaram que os investimentos na empresa estão ligeiramente menores, em virtude do cenário de incertezas enfrentado pelos estabelecimentos.

O Icec é realizado com mil empresários de Belo Horizonte, possui margem de erro de 3,5% e um intervalo de confiança de 95%.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Article Categories:
Minas em númerosÚltimas