Pragmatismo na economia: Zema e Bolsonaro se rendem ao capital chinês

  • por em 22 de novembro de 2019 | atualizado: 28/11/2019 - 12:56

Romeu Zema negocia cooperação econômica e comercial com a China em encontro no Norte de Minas (Foto: Gil Leonardi/Imprensa MG)

João Carlos Firpe Penna
joaocarlos@interessedeminas.com.br

Depois de uma campanha eleitoral, no final do ano passado, na qual a China era vista com o “grande inimigo comunista”, o Bolsonaro-candidato dá lugar ao Bolsonaro-presidente e torna-se, pragmaticamente, devotado parceiro comercial preferencial dos chineses.

Em Minas Gerais, como se sabe, o Zema-candidato seguiu à risca o receituário e os princípios da campanha nacional do seu candidato a presidente – João Amoedo. Surpreendentemente, até para o próprio Partido Novo, saiu vitorioso aos 48 minutos do segundo tempo, deixando para trás velhas e, até então, poderosas raposas da política mineira, especialmente tucanos e petistas.

Cerca de 12 meses após a campanha, e quase um ano de governo em meio a grandes dificuldades na economia, ambos mudam de posicionamento e se abrem para a China e para os bilionários fundos de investimento da segunda maior potência mundial.

Após a reunião dos BRICS, realizada na semana passada em Brasília, o presidente Bolsonaro anunciou a liberação, por parte do governo chinês, de um fundo de cerca de US$ 100 bilhões para investimentos no Brasil.

Não importa a cor do gato…

Ao mesmo tempo, o governador Zema confirmou a participação de capital chinês em Minas Gerais, que pode chegar a US$ 4 bilhões para investimentos em saneamento básico e infraestrutura. São dois setores fundamentais para a retomada do crescimento – e que, historicamente, são bancados pelo próprio setor público para viabilizar a injeção de recursos da iniciativa privada nos segmentos produtivos.

É o pragmatismo que chega com força para mostrar que “campanha é campanha; e governo é outra coisa”. Nenhuma surpresa: afinal, como dizem os próprios chineses, não importa a cor do gato, desde que ele coma os ratos.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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