Taxa Selic é a menor em 30 anos; entenda os impactos em seu bolso

A tendência é de que, nos próximos 12 meses, a taxa básica de juros fique menor do que a inflação

(Foto: freepik.com)

Da redação
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A chegada da Selic ao piso histórico de 5% ao ano deve impactar diretamente os investimentos em renda fixa, principalmente a caderneta de poupança. A tendência é de que, nos próximos 12 meses, a taxa básica de juros fique menor do que a inflação, o que pode motivar a debandada dos investidores e poupadores para outros tipos de aplicações financeiras que remunerem melhor o dinheiro de cada um.

A Selic está no menor nível dos últimos 33 anos e a projeção do Banco Central é de novos cortes nas próximas reuniões do COPOM. Na prática, o rendimento da poupança deve cair de 3,85% para 3,43%, ou seja, ficar 0,11% menor do que a inflação oficial estimada para 3,54% no ano.

Em outras palavras: os números demonstram que quem colocar R$ 1 mil na poupança corre o risco de retirar, depois de 12 meses, R$ 998. Ou seja, os R$ 2 seriam consumidos pela própria inflação.

Para especialistas, não resta dúvida de que é mais vantajoso procurar outras modalidades de investimento que remunerem melhor. O presidente do Conselho Regional de Economia (Corecon-MG), Paulo Bretas ressalta que a maioria das pessoas tem pouco conhecimento sobre as demais possibilidades oferecidas no mercado.

“Se você sugerir, por exemplo, aplicações em fundos multimercado, poucas pessoas saberão do que se trata. A questão é que, na crise em que estamos, a maioria da população, se tiver algum dinheiro sobrando, não vai aplicar em lugar nenhum, mas sim pagar dívidas”, opina.

Para o economista, é necessário que haja um grande movimento de educação financeira, começando pelas gerações mais jovens, para que uma nova cultura de investimentos seja criada no médio e longo prazo.

Avanços

Os cortes na Selic também podem trazer oportunidades de melhorias macroeconômicas, com efeitos positivos sobre a economia do país, aponta Bretas. Uma das possibilidades é o pagamento de menos juros na rolagem da própria dívida pública, explica.

“O governo pode, por exemplo, usar esses recursos comprando de volta títulos públicos, o que pode melhorar a relação dívida/PIB e a confiança dos empresários na economia”, analisa.

Para Bretas, os juros mais baixos abrem ainda outras possibilidades para o início da retomada do crescimento econômico. “É possível, por exemplo, criar um plano de investimentos de retomada de obras públicas. Com isso, a construção civil volta a funcionar e criam-se empregos”, diz.

“Em paralelo, há também a chance de se anunciar linhas de créditos especiais para uma nova industrialização brasileira. E isso é muito importante para devolver ao setor industrial o protagonismo que ele sempre teve na formação do PIB – Produto Interno Bruto – do país, conclui o economista Paulo Bretas. 

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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