Cortes de bolsas deve levar a debandada de jovens cientistas em MG

O principal motivo para o congelamento das bolsas é o contingenciamento de R$ 5,8 bilhões do Ministério da Educação (MEC), imposto pelo governo

Mais de 10 mil estudantes dependem do financiamento da agência em Minas (Foto: freepik.com)

Da redação
redacao@interessedeminas.com.br

O corte de bolsas de pesquisa anunciado pelo governo Bolsonaro para todo país vai atingir em cheio o ensino superior em Minas. A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) anunciou que pelo menos seis de cada 10 incentivos concedidos para pesquisadores no Estado estão suspensos e sem previsão de normalização. 

Na prática, estudantes de mestrado, doutorado e pós-doutorado de diversas universidades públicas em território mineiro perdem a oportunidade de desenvolver estudos que poderiam trazer soluções para inúmeras áreas com a criação de novos medicamentos, inovações para a indústria e incalculáveis avanços tecnológicos.

O principal motivo para o congelamento das bolsas é o contingenciamento de R$ 5,8 bilhões do Ministério da Educação (MEC), imposto pelo governo. A Capes afirma que pesquisas em andamento não serão prejudicadas, mas estudos que poderiam começar agora estão comprometidos.

O impacto não é pequeno, uma vez que mais de 10 mil estudantes dependem do financiamento da agência em Minas. No estado, 508 bolsas estão congeladas – um gasto de R$ 3,7 milhões a menos nas contas da Capes em 2019. 

Minas também é o quarto estado com o maior número de bolsas (10.037), perdendo apenas São Paulo (24.898), Rio de Janeiro (11.494) e Rio Grande do Sul (10.817). Juntas, essas unidades da federação respondem por 56,5% do total de bolsas do país.

Na UFMG, maior federal de Minas, serão 17 bolsas bloqueadas. Um exemplo dramático é o da pós-graduação em engenharia química, onde apenas uma bolsa de pós-doutorado ficará disponível. A coordenação diz que ainda não é possível mensurar todas os estudos afetados.

Mais perdas

Nem o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) será poupado. De acordo com as previsões de corte do governo, 90% da verba para pesquisa para o fomento à pesquisa destinada ao órgão desaparecerá em 2020.

Na Universidade Federal de São João del Rei (UFSJ), na região Central do Estado, o clima também é de apreensão. Por nota, a reitoria da instituição informou que “acompanha com extrema preocupação o agravamento da crise no orçamento do CNPq, e tem se manifestado em conjunto com as Instituições de Ciência e Tecnologia do país, procurando evidenciar o grande prejuízo no desenvolvimento nacional se esta situação não for revertida”.

Por lá, a suspensão dos pagamentos de bolsas do CNPq impactará diretamente 126 projetos desenvolvidos com o apoio de estudantes de graduação e pós-graduação, em todas as áreas de conhecimento. Adicionalmente, 33 pesquisadores apoiados pelas bolsas de produtividade em pesquisa, desenvolvimento tecnológico ou extensão inovadora poderão ter projetos impactados.

Professor da UFMG e secretário regional da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Luciano Mendes Faria Filho, afirma que os cortes serão “devastadores” para Minas. 

O especialista destaca que as perdas se somam ao enfraquecimento da Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig), que há anos vem perdendo a capacidade de financiamento.

“E ainda compromete nosso futuro, porque em alguns anos não teremos novas gerações de pesquisadores para dar continuidade aos projetos que sobreviverem aos cortes”, afirma. “Isso também significa iniciar um deslocamento de jovens para outros estados que estiverem oferecendo oportunidades e até para outros países, como os da comunidade europeia, que têm uma enorme capacidade de investimento em pesquisas”, conclui Faria.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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