Polo da matança: Betim lidera ranking de homicídios em Minas Gerais

O município da região metropolitana de Belo Horizonte possui taxa de 52,1 homicídios para cada 100 mil habitantes

(Foto: Anselmo Ubl/Facebook Prefeitura de Betim)

Da redação
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Betim é a cidade onde mais se mata em Minas Gerais, segundo o Atlas da Violência 2019, divulgado na última segunda-feira (5) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), órgão do governo federal. O município da região metropolitana de Belo Horizonte possui taxa de 52,1 homicídios para cada 100 mil habitantes.

Em 2018, um estudo do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) já mostrava que a cidade era onde mais se assassinava adolescentes em território mineiro – uma taxa de 7,9 mortes para cada mil jovens. Pelo visto, nada mudou. 

A posição de destaque no mapa da violência nacional não veio por acaso. Quem afirma é o sociólogo, ex-secretário-adjunto de Segurança Pública do Estado, ex-coordenador do Instituto Minas pela Paz e, hoje, coordenador do Centro de Estudos e Pesquisa em Segurança Pública da PUC Minas, Luiz Flávio Sapori.

“Há peculiaridades que explicam o fenômeno. A primeira é o tráfico de drogas que se consolidou na cidade, com grupos criminosos bem delineados, donos de um grande poderio territorial. Isso tem muito a ver com a posição geográfica de Betim, que tem confluência de diversas rodovias que se distribuem para praticamente todas as regiões do país”, analisa o especialista.

Abandono

O descaso por parte do poder público estadual também contribui, de acordo com Sapori, para que o município tenha índices de violência cada vez mais elevados. 

“É uma cidade historicamente abandonada no que diz respeito ao aparato policial militar e civil, sempre com baixos contingentes, muito aquém das necessidades. O judiciário em Betim também está completamente defasado. Há apenas uma vara do Tribunal de Justiça para julgar os homicídios, que são mais de 200 por ano”, afirma o sociólogo.

Para piorar, explica Sapori, não há vagas suficientes para o alto número de adolescentes infratores. “Isso faz com que muitos deles fiquem impunes e continuem praticando crimes nas ruas da cidade”, conclui.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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