Alegando crise, Zema acaba com programa aéreo de integração regional

Nos três anos de funcionamento do programa ‘Voe Minas Gerais’, foram realizados 9.761 voos e transportados 37.467 passageiros

De 2016 a 2019, o governo destinou R$ 18 milhões para subsidiar a operação dos voos (Foto: Divulgação/Codemig)

Patrícia Adriely
patricia@interessedeminas.com.br

O governo Zema encerrou, no final de junho, o “Voe Minas Gerais”, programa criado em 2016 para promover a integração de diversas regiões do estado por meio de transporte aéreo. Nos três anos de funcionamento do programa, foram realizados 9.761 voos e transportados 37.467 passageiros. O governo destinou R$ 18 milhões para subsidiar sua operação durante esse período.

O “Voe Minas Gerais” oferecia voos entre Belo Horizonte e cidades do interior com o objetivo de fomentar os negócios regionais, desenvolver o turismo e permitir acesso rápido a eventos e serviços. Ele exercia um papel estratégico de interligação de várias regiões de Minas Gerais, que tem uma área total de quase 600 mil quilômetros quadrados.

A nova diretoria, nomeada pelo governador Romeu Zema, da Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge), empresa responsável pela iniciativa, a nova administração explica a decisão. Revela que “avaliou seus projetos em andamento na empresa, buscando melhorias e o adequado atendimento ao povo mineiro” (confira a íntegra da nota ao final da reportagem).

Na verdade, desde abril os voos do programa já vinham sendo reduzidos, com a exclusão de oito municípios. Nove cidades com maior taxa de ocupação permaneceram sendo atendidas na malha do projeto: Araçuaí, Belo Horizonte, Caratinga, Diamantina, Governador Valadares, Ipatinga, Manhuaçu, Patos de Minas e Teófilo Otoni. Agora, apesar da demanda, também essas rotas foram descontinuadas.

Em declaração ao portal Interesse de Minas, o prefeito de Araçuaí, Armando Jardim Paixão, lamentou o fim do programa e espera que ele seja retomado. “Os voos regulares movimentaram bastante o comércio local e regional, puncionando os empresários a investirem mais na região e na cidade”.

Segundo ele, a viagem que de carro até a cidade dura 8 horas. De avião, fazia-se em pouco mais de 1 hora e meia. “Uma perda enorme ao Vale do Jequitinhonha. Torcemos para que isso seja revisto pelo governo atual e retomado o programa o quanto antes”, afirmou.

Governo busca transferir projeto para iniciativa privada

A Codemge declarou que está buscando fazer acordos com operadores privados e entidades locais para assumir rotas de alta procura do “Voe Minas Gerais”. E informa que a Real Aviation é uma das empresas interessadas, mas quer a cooperação da Codemge.

NOTA

Posicionamento da Codemge

O Voe Minas Gerais foi descontinuado pela Codemge a partir de 30 de junho de 2019 após uma avaliação dos projetos em andamento, buscando melhorias e o adequado atendimento ao povo mineiro. A decisão pelo encerramento da iniciativa levou vários fatores em consideração na análise, entre eles a realidade financeira atual do Estado e o valor de subsídio demandado pelo projeto para sua operação – de 2016 a 2019, R$ 18 milhões. Desde o início do Voe Minas Gerais até seu encerramento, foram realizados 9.891 voos e transportados 38.417 passageiros.

Informamos ainda que, embora o Voe Minas Gerais tenha sido encerrado em 30 de junho, o município de Teófilo Otoni permanece recebendo voos por meio de operador privado, sem interrupção do serviço. Há também tratativas em andamento com empresários e entidades da região de Caratinga e Manhuaçu para aplicação desse modelo nos municípios.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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