Saúde em alerta: Minas enfrenta a segunda maior epidemia de dengue da história

Mais de 423 mil casos de dengue já foram registrados em MG de janeiro a junho; em média, pelo menos 2 mil pessoas contraíram o vírus por dia

Mais de 423 mil casos de dengue já foram registrados em MG este ano

Mais de 423 mil casos de dengue já foram registrados em MG este ano

Raul Mariano
raulmariano@interessedeminas.com.br

Mais de 423 mil casos de dengue já foram registrados em Minas de janeiro a junho. O estado enfrenta a segunda maior epidemia da doença em sua história, que só foi maior em 2016, quando mais de meio milhão de notificações foram contabilizadas pela Secretaria de Estado de Saúde (SES)

Ou seja, nos seis primeiros meses deste ano, em média, pelo menos 2 mil pessoas contraíram o vírus todos os dias em território mineiro. Nos primeiros 24 dias de junho, foram contabilizados 13.916 novos doentes. São números que preocupam órgãos de saúde e revelam que, se o ritmo se mantiver, 2019 poderá quebrar o recorde de casos.

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No último boletim epidemiológico publicado pela SES, o órgão já informa que “2019 ultrapassou o número de casos registrados em anos não epidêmicos”. Já são 86 mortes confirmadas em pouco mais de cinco meses. Sete vezes mais do que todos os óbitos contabilizados em 2018.

Até o momento, Uberlândia, no Triângulo, lidera o ranking com 16 mortes confirmadas por dengue. Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte, vem em seguida, com 13. Em terceiro lugar, está Belo Horizonte, com 12. Outros 137 óbitos por suspeita da doença seguem em investigação.

Novo vírus em propagação

A mudança do vírus em circulação é o fenômeno responsável pela explosão de casos em Minas. Quem afirma é o virologista e professor da UFMG Flávio Guimarães da Fonseca. 

Ele explica que, ao longo da série histórica é possível perceber que, a cada três anos, Minas vive grandes epidemias de dengue. Aconteceu em 2010, 2013 e 2016. Agora, 2019 poderá bater todos os recordes.

“Todas as vezes em que houve a substituição do vírus predominante, aconteceu uma epidemia de maiores proporções. Ano passado, o sorotipo 1 circulava com mais força. Agora, temos o sorotipo 2”, relata Fonseca.

O virologista esclarece que a chamada “imunidade de rebanho” é menor quando um novo agente causador da doença entra em circulação. “Ainda não desenvolvemos defesa contra esse novo vírus. A tendência é de que, no ano que vem, a população já tenha resposta imune e os números caiam drasticamente”, analisa. 

Combate ao mosquito da dengue é a solução

A única medida disponível para o combate à epidemia, alerta Fonseca, é reforçar o combate ao mosquito transmissor da dengue. Sem medicamento específico ou vacina disponível na rede pública, a eliminação de criadouros do Aedes Aegypti continua sendo o maior desafio no estado. 

“A vacina que atualmente é licenciada não foi adotada pelo SUS porque ainda oferece problemas de segurança. O jeito é continuar combatendo a população de Aedes”, explica o virologista.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.