Economia do país vai mal, mas a de MG vai pior, com queda de 10% na indústria em abril

Alguns setores da economia tiveram crescimento e contribuíram para que o cenário não fosse ainda pior, como no caso da indústria têxtil (+13%), bebidas (+7,4%) e automotivo (+7,3%)

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João Carlos Firpe Penna
joaocarlos@interessedeminas.com.br

Dados recém-divulgados pelo IBGE indicam que o desempenho da indústria de Minas Gerais teve queda de mais de 10% em abril, em relação ao mesmo mês no ano passado; em 12 meses, Minas está com crescimento negativo de 2,6%.

Vejamos: se o desempenho da economia brasileira está caminhando ladeira abaixo, pois o país deve crescer menos de 1% neste ano, o de Minas já está despencando para o abismo da recessão.

Dados da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), do IBGE, indicam que o setor industrial do estado apresentou retração de nada menos do que 10,9% em abril – em relação ao mesmo mês do ano anterior. Em 12 meses, a produção da indústria de Minas apresenta queda acumulada de 2,6%.

O fato é extremamente preocupante para o estado e o resultado reflete a crise que atingiu o setor minerário com a tragédia de Brumadinho, em janeiro.  Se levarmos em conta apenas o setor de extração mineral, a retração em abril foi de 40%. Até o momento, o governo Zema fez pouco ou nada para reverter esse quadro, como o portal Interesse de Minas vem demonstrando.

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Alguns setores da economia tiveram crescimento e contribuíram para que o cenário não fosse ainda pior. Como no caso da indústria têxtil (crescimento de 13%), bebidas (+ 7,4%) e automotivo (+7,3%).

Cenário nacional se agrava

O cenário nacional não está tão negativo como o de Minas Gerais, mas também está se deteriorando com muita rapidez. No início do ano, a previsão de crescimento do PIB do país estava acima de 2,5%, de acordo com o Boletim Focus, do Banco Central.

O Boletim Focus tem periodicidade semanal – é divulgado sempre nas segundas-feiras e é formado pela média das projeções de 120 instituições do universo econômico-financeiro – bancos, gestores de recursos, empresas, distribuidoras e corretoras.

Em outras palavras, havia uma expectativa muito grande de o país começar a sair do atoleiro com o novo governo. Mas o quadro logo se reverteu – uma vez que economistas e empresários perceberam que a equipe econômica de Bolsonaro pouco estão fazendo para fomentar a economia no curto e no médio prazo.

Afinal, todas as fichas estão voltadas para a aprovação da reforma de previdência no Congresso Nacional – cujos efeitos só serão sentidos, desde que ela seja aprovada, como deve ocorrer – no médio e longo prazos.

E então, não deu outra: em pouco mais de dois meses, no primeiro trimestre, a expectativa de crescimento do país despencou para menos de 2% e agora já rompeu, para baixo, a barreira do 1%. Há quem já estime um crescimento próximo de zero para e economia do país para este ano.

Para boa parte de empresariado – que, inclusive, jogou todas as fichas na vitória de Bolsonaro -, a tentativa, agora, já é de tentar salvar a PIB do ano que vem!

Tudo muito rápido

Os cenários nacional e estadual já seriam graves em períodos de meio ou final de governos. Mas se tornam especialmente dramáticos na medida em que tanto Zema quanto Bolsonaro estão ainda no início de seus mandatos. Ou seja, a credibilidade natural de início de gestão já foi para o espaço, assim como a chamada fase de lua de mel.

Tudo está se deteriorando muito rapidamente para os dois governantes, que tinham chances mínimas de chegar ao poder no início da corrida eleitoral, e saíram com vitórias expressivas das urnas.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.