“É nítido: comércio em MG está perdendo fôlego”, avalia economista da Fecomércio

Expectativas do comércio caem pela primeira vez em Minas desde agosto de 2018

expectativas do comércio caem pela primeira vez em Minas desde agosto

Expectativas do comércio caem pela primeira vez em Minas desde agosto

Raul Mariano
raulmariano@interessedeminas.com.br

Bastaram cinco meses do novo governo federal para que as expectativas de recuperação econômica no setor do comércio, criadas antes das eleições, começassem a cair em Minas.

Os índices de confiança dos empresários do setor em Minas tiveram a primeira queda desde agosto do ano passado, segundo medição feita pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio-MG). Economistas já preveem também redução do PIB do estado no primeiro trimestre.

LEIA TAMBÉM:
Por que as expectativas de crescimento e de mudanças caíram em MG e no Brasil?

As dificuldades de articulação entre o Planalto e o Congresso têm tornado a aprovação das chamadas pautas reformistas mais demorada do que o esperado. E isso tem  alterado os humores do mercado.

O resultado é a cautela da classe empresarial, que tem prorrogado investimentos diante de um cenário de incertezas. Desencorajados, indústria e comércio seguem empacados à espera de sinais mais robustos de aquecimento econômico.

“Nos últimos meses, temos observado dados oficiais mostrando desempenhos aquém do esperado. A indústria vem registrando perdas, sobretudo por causa de Brumadinho, e isso vem puxando o comércio também”, afirma Guilherme Almeida, economista da Fecomércio-MG.

Para ele, a cada dia, os sinais de retomada se tornam menos evidentes para o comércio, e isso, inevitavelmente, “afeta as decisões de consumo das pessoas”. A avaliação leva em conta também os chamados motores do setor, como as datas comemorativas, que têm grande apelo comercial e, tradicionalmente, aumentam as vendas.

“Portanto, é de se esperar um resultado negativo do PIB no primeiro trimestre tanto para o Estado quanto para o país”, sentencia Almeida.

Projeções desfavoráveis

Dois indicadores que compõem o chamado Icec (Índice de Confiança do Empresário do Comércio) diminuíram cerca de 2 pontos percentuais em abril, impactando de forma geral a análise. Segundo nota divulgada pela Fecomércio-MG, “o Indicador de Expectativa do Empresário do Comércio (Ieec), que mede as perspectivas para a economia brasileira, para o comércio e para os estabelecimentos, foi de 157,4 pontos, apurados em março, para 155,4 em abril”.

Já o Índice de Investimento do Empresário do Comércio (Iec), variável que considera o planejamento para o quadro de funcionários, planos de melhorias e ainda a situação dos estoques das empresas para estimar o nível de investimento desses negócios, reduziu de 103,1 para 101,1 pontos.

“É nítido: o comércio está perdendo o fôlego”, conclui Almeida.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.