O dia em que o jornalista se tornou a notícia

Ricardo Boechat influenciou várias gerações de jornalistas, ao longo de mais de quatro décadas de atuação

Ricardo Boechat, falecido nesta segunda-feira (11/02), influenciou várias gerações de jornalistas (Foto: divulgação/Band)
João Carlos Firpe Penna
joaocarlos@interessedeminas.com.br

A segunda-feira, 11 de fevereiro, seguia como mais um dia de rotina acelerada  para a imprensa, em meio à cobertura da tragédia de Brumadinho e do Centro de Treinamento do Flamengo no Rio, onde 10 jovens perderam a vida.

Por volta do meio-dia, contudo, surgiu um fato que mudaria os rumos das coberturas do dia e da rotina de centenas de jornalistas, especialmente no eixo São Paulo, Rio e Brasília: a trágica morte do jornalista do Grupo Band, Ricardo Boechat.

A partir daquele momento, o que se viu e ouviu, além da cobertura do acidente em si, foram relatos de um sem números de jornalistas – repórteres, editores, colunistas e comentaristas – ressaltando a grande contribuição de Boechat para o jornalismo brasileiro ao longo de mais de quatro décadas de atuação.

E o que mais se ouviu foram comentários em que se destacaram palavras como generosidade, companheirismo, ensinamentos, exemplo, aprendizagem etc. etc.

Muitos ressaltaram o fato de Boechat ter passado por todas as funções de uma carreira de jornalista, até se tornar âncora de jornais de rádio e TV. O que os colegas de profissão enalteciam era o fato de o jornalista nunca ter abandonado o ensinamento fundamental da profissão, que é correr atrás da notícia.

Afinal, parafraseando outro jornalista, o colunista do Jornal do Brasil, Zózimo Barrozo do Amaral, já falecido, contemporâneo de Boechat, “enquanto houver jornalismo, há esperança”. Zózimo, que frequentava o mundo das celebridades e socialites carioca, cunhou a frase “Enquanto houver champanhe, há esperança”, que se tornou o título de sua biografia, escrita por Joaquim Ferreira dos Santos.

Nessa segunda-feira, ocorreu o inesperado: o jornalista virou a notícia do dia.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.