Balanço dos 30 dias do governo Zema e o que ele indica sobre seu futuro

Em um mês de governo, Zema evidenciou que sua prioridade é diminuir os gastos do estado e renegociar as dívidas

Em 24 de janeiro, governador de MG anunciou a prefeitos o repasse de verbas dos municípios (Foto: Gil Leonardi/Imprensa MG)

Em um mês de governo, Zema evidenciou que sua prioridade é diminuir os gastos do estado e renegociar as dívidas. As primeiras atitudes do governador, que teve um encontro com o presidente Bolsonaro em Brasília, demonstram que ele considera a União um agente no desafio de tentar equilibrar as contas.

Nesse período, o governador também enfrentou o obstáculo de encontrar formas de realizar o pagamento dos servidores e os repasses de recursos para os municípios.

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Em meio a tudo isso, houve ainda um acontecimento inesperado: o rompimento da barragem de rejeitos em Brumadinho. Zema visitou o local mais de uma vez e prometeu agilizar o repasse de recursos ao município e cobrar da Justiça mais agilidade na responsabilização dos culpados.

Em visitas a Brumadinho, Zema prometeu agilizar o repasse de recursos ao município (Foto: Gil Leonardi/Imprensa MG)

O caos da exoneração

Um decreto assinado pelo governador, em 2 de janeiro, exonerou todos os servidores comissionados do Executivo, cortando cerca de 6 mil pessoas. A decisão acabou afetando o funcionamento dos serviços para a população que usa os serviços, causando transtornos especialmente nas áreas de Cultura e Imprensa.

A confusão obrigou o novo governador a reconduzir, dias depois, cerca de um quarto dos profissionais dispensados para a manutenção de serviços emergenciais ou contínuos.

Malabarismo financeiro

Logo nos primeiros dez dias da nova gestão, os repasses de recursos aos municípios mineiros sofreram atrasos. A Associação Mineira de Municípios (AMM) pressionou o governo, e alguns prefeitos chegaram a ameaçar adiar o início do ano letivo nas escolas por falta de dinheiro.

O pagamento dos servidores continuou a ser feito em forma de escala – atitude adotada no governo anterior. No dia 28 de janeiro, Zema anunciou que o 13º referente ao ano de 2018 do funcionalismo público será pago em 11 parcelas, de fevereiro a dezembro. No início do mês, o governador chegou a declarar, em entrevista a um programa de TV, que não sabia quando iria realizar o pagamento, estimado em R$ 2,1 bilhões, e enfrentou protestos de servidores.

Renegociação da dívida

Zema assumiu o estado com grave crise financeira e rombo fiscal. Além disso, o governo estadual está impedido de realizar operações de crédito tendo o governo federal como “fiador” até agosto desse ano, pois, em 2018, a União foi obrigada a cobrir o calote de R$ 553,1 milhões dado pela administração mineira em dois empréstimos.

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Em busca de soluções, Zema declarou que pretende recorrer ao chamado Regime de Recuperação Fiscal (RRF), criado pelo Governo Temer em 2017. Em entrevista a um programa de TV, Zema também afirmou a intenção de enviar um projeto de lei à Assembleia sobre a privatização da Cemig e de outras estatais.

Segundo ele, essas vendas são uma exigência do Tesouro Nacional para renegociar a dívida do estado com a União, que pode chegar a cerca de R$ 30 bilhões.

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Além disso, ele e seu vice, Paulo Brant, se encontraram com o presidente Jair Bolsonaro, em 16 de janeiro. Na ocasião, eles discutiram a renegociação dessa dívida de Minas Gerais com a esfera federal.

Zema publicou foto do encontro com Bolsonaro nas redes sociais
(Crédito: Reprodução/Instagram)

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